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Ing Lee
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a artista se designa como "quadrinista/ilustradora coreano-brasileira e surda oralizada", conheça:
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Estamos chegando ao final de mais um semestre e tivemos um mês com muitos acontecimentos.
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Finalizamos a Leitura Compartilhada do livro "Flores de Fogo" de Hawon Jung e tivemos um encontro com a escritora no Costuras Interculturais que está disponível no YouTube da CEÁSIA para todo mundo assistir. Ficou muito bom e a gente contou com a tradução simultânea de Suéllen Gentil.
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Subimos no YouTube da CEÁSIA as palestras do 3º e 4º Ciclo de Formação, que ocorreram em Dezembro/2025 e Março/2026 respectivamente. Abaixo os links para as palestras:
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Houve ainda o III Simpósio de Estudos Coreanos da CEÁSIA que também está disponível no YouTube. O Simpósio é um evento organizado integralmente pelos integrantes da Curadoria e é um espaço para fomentar a discussão sobre os trabalhos acadêmicos que os integrantes estão desenvolvendo. Foram dois dias de evento e eles podem ser acessados aqui:
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Ufa! Foi um mês corrido, mas muito proveitoso.
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Estamos organizando e planejando o próximo semestre. Então, logo logo, traremos informações sobre a Leitura Coletiva do próximo semestre.
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No mais, estamos nos preparativos para o recesso de Julho. Mas, como você sabe, a gente está sempre por aqui. Qualquer dúvida, mande e-mail ou fale com a gente pelo Instagram.
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“Vozes Amarelas” e a importância de pensar a amarelitude como ferramenta na luta antirracista no Brasil
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por Bruna Meneghetti Inoue
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Imagem: de autoria própria
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Publicada pela editora HarperCollins em 2023, a graphic novel “Vozes Amarelas”, do ilustrador amarelo-brasileiro Monge Han, mobiliza uma abordagem sensível para tratar de questões centrais ao debate sobre a construção da experiência de pessoas amarelas no Brasil. A partir de suas vivências como descendente de coreanos no país, Han reúne cinco narrativas em quadrinhos que atravessam temas como memória familiar, identidade, racialização e pertencimento.
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Ao abordar experiências atravessadas por memória familiar, deslocamento e racialização, a obra se insere em um debate ainda pouco visibilizado no Brasil. Segundo Komino, Yamamoto e Ichikawa (2024), com base no Censo do IBGE de 2022, apenas 0,4% da população brasileira se autodeclara amarela. Embora numericamente reduzido, esse contingente suscita questões fundamentais sobre pertencimento, identidade e sobre os modos pelos quais sujeitos amarelos se percebem e são percebidos em relação à branquitude.
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A presença amarela no Brasil remonta ao século XIX, quando os primeiros chineses desembarcaram no país em navios portugueses, em um contexto marcado pela atuação colonial portuguesa em territórios como Macau. Ao longo do tempo, porém, os amarelos foram frequentemente percebidos como populações imigrantes menos desejáveis do que os imigrantes europeus, especialmente a partir da ótica de políticas eugenistas voltadas ao branqueamento da população brasileira. Durante a Era Vargas, esse imaginário foi reforçado pela circulação da teoria do “perigo amarelo”, que passou a incidir de maneira mais explícita sobre a vida das comunidades asiáticas no país.
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A imagem dos povos amarelos foi historicamente construída a partir do olhar da branquitude, que os reduziu a uma série de estereótipos e representações homogeneizantes. Nesse processo, traços físicos, modos de falar, costumes e comportamentos associados a pessoas amarelas são frequentemente transformados em objeto de piada, reforçando formas de violência simbólica e apagamento identitário.
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Como efeito, diferentes identidades culturais asiáticas acabam condensadas em categorias genéricas e pejorativas, como “japa”. Nas histórias “Criança Amarela” e “Criança Colorida”, Monge Han problematiza esse imaginário ao articular a experiência da racialização amarela a outras camadas, como a fetichização e as especificidades de ser uma pessoa amarela LGBTQIAPN+. Estsa problemática aparece de forma explícita em um trecho de “Criança Amarela” (p. 75), no qual o narrador questiona a homogeneização imposta às crianças asiáticas:
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Com o tempo percebi que eu e outras crianças asiáticas éramos chamados do mesmo jeito: JAPA. Éramos mesmo todos iguais? Por que não tínhamos direito de ter um nome cada um?
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Komino, Yamamoto e Ichikawa (2024) chamam a atenção para a forma como a branquitude opera a manutenção de seus privilégios mobilizando, entre outros mecanismos, o imaginário da “minoria modelo”. O conceito refere-se ao estereótipo que atribui a grupos amarelos características supostamente naturais, como disciplina, inteligência, obediência, dedicação ao trabalho e sucesso. Embora, à primeira vista, essa representação possa parecer positiva, ela reduz sujeitos amarelos a traços fixos, apaga a diversidade de suas experiências e, ao estabelecer a figura de uma “minoria exemplar”, também pode ser instrumentalizada para reforçar hierarquias raciais e justificar o racismo dirigido a outros grupos racializados, como negros e indígenas.
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Nesse sentido, “Vozes Amarelas” se revela uma obra importante tanto para leitores amarelos quanto para não amarelos, ao convidar à reflexão sobre a racialização amarela e sobre o lugar que essas discussões ocupam na luta antirracista no Brasil. Ao articular memória, identidade, violência simbólica e pertencimento, Monge Han produz uma narrativa que não apenas nomeia experiências frequentemente silenciadas, mas também reivindica para sujeitos amarelos um lugar de fala e de reconhecimento no debate racial brasileiro. Assim como cita Monge Han (p. 19):
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[...] espero que este trabalho ajude um pouquinho você, pessoa amarela, a se enxergar e, concordando ou não com meu ponto de vista, entender a realidade de que, se você é amarelo, você é, sim, racializado. E se entender como tal é o primeiro passo para entender melhor nosso lugar na sociedade e no nosso papel na luta antirracista, tão necessária no nosso país, bem como em nós mesmos.
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REFERÊNCIAS
KOMINO, Aline Chima; YAMAMOTO, Gabriel do Carmo; ICHIKAWA, Elisa Yoshie. QUEM PARTICIPA DO JOGO DA BRANQUITUDE? Do perigo ao privilégio amarelo. Caos, [S. l.], v. 2, n. 33, p. 175-198, 18 jun. 2024. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/caos/article/view/70480. Acesso em: 19 jun. 2026.
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HAN, Monge. Vozes Amarelas. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2023. 159 p.
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- Clara está assistindo o K-drama "Os Supertontos", estrelado por Park Eun-bin e Cha Eun-woo. A série faz apresenta um grupo de pessoas que possuem super poderes e vai desenrolando a partir disso, com direito a seita, fim do mundo, premonição e muitos interesses pessoais. Até o momento, ela está gostando e recomenda pra quem quer se divertir um pouquinho. Está sendo a série do horário de almoço.
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- Vitória indica essa Graphic Novel extremamente bonita, com narrativa realista e honestidade desconcertantes.
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Obrigada por nos acompanhar!
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Nos encontramos no próximo mês.
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