Tradução por Beatriz Santos Simões
Notícia e Imagem: Yoon Min-Shik, para o The Korea Herald
De acordo com o jornalista Yoon (2025), jovens sul-coreanos na faixa dos 20 anos tiveram um crescimento de renda menor que 2% por ano (em média) de 2014 a 2024. Dentre os grupos etários, este foi o menor crescimento no período analisado pelo relatório da Federação de Indústrias Coreanas. Neste sentido, o crescimento real foi de apenas 1,9% ao ano e considera o poder real de compra. Em relação a outras faixas etárias, verificou-se que o crescimento anual do grupo de pessoas de 60 anos ou mais foi de 5,1%, já o grupo relativo à faixa de 50 anos teve um crescimento de 2,2% por ano, o grupo dos 40 anos foi de 2,1% por ano e, por fim, a faixa de pessoas nos seus 30 anos obteve um crescimento de renda de 3,1% anual.
A renda real mensal para aqueles na faixa dos 20 anos cresceu de 1.76 milhões de won por pessoa em 2014 para 2.12 milhões de won em 2024, sendo o segundo menor crescimento considerando os grupos por idade. Aqueles com o menor ganho foram os idosos de 60 anos ou mais, cujo crescimento foi de 1.02 milhões em 2014 para 1.7 milhões de won em 2024. O país presenciou, recentemente, uma diminuição na taxa de emprego de pessoas na faixa dos 20 anos, o que se deu de forma paralela ao crescimento da taxa de empregos entre aqueles em idade legal para se aposentar. Como já foi noticiado anteriormente no The Korea Times em maio de 2025, há uma grande parcela de sul-coreanos idosos que recorrem a empregos de baixa remuneração após se aposentarem da sua carreira (Jun, 2025). Especificamente no setor privado, incentiva-se os trabalhadores a se aposentarem antes da idade legal de aposentadoria (60 anos) e, dessa forma, eles acabam recebendo um valor de pensão inferior ao daqueles que exerceram seu trabalho por mais tempo. O que acaba acontecendo, como nos informa a repórter Jun (2025), é um dos mais altos níveis de pobreza sênior do mundo. Sobre este ponto, uma notícia do The Korea Herald de fevereiro de 2025 trouxe que a taxa de pobreza sênior no país cresceu pelo segundo ano consecutivo em 2023, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde e Bem Estar e pelo Instituto Nacional de Estatística neste ano; no caso, a jornalista Choi (2025) informou que a taxa relativa de pobreza entre idosos foi de 38,2%, considerando pessoas de 65 anos ou mais que vivem com menos de 50% da renda média do país. Dados recentes do Statistics Korea (Yoon, 2025) mostram que 60% dos idosos 60+ estavam trabalhando em abril de 2025, o que foi pouco abaixo dos 60.3% relacionado ao grupo de 20 a 29 anos.
Neste sentido, conforme Yoon (2025) indica, os dados da Federação mostram que a taxa de emprego não foi a causa direta do baixo crescimento para jovens sul-coreanos. De 2014 a 2024, a taxa de emprego na idade referida aumentou de 57.4% para 61%. O relatório apontou que a proporção de pessoas nos seus 20 anos trabalhando como “trabalhadores irregulares” aumentou de 32% para 43.1% nessa mesma época. Aqui, os dados se referem aos trabalhadores com contratos sem garantias de renovação; para Lee (2015 apud Kim, 2012), os trabalhadores irregulares abarcam desde pessoas com contratos de longo e curto prazo, até trabalhadores de meio período, terceirizados e outras modalidades. Isto significa que, mesmo que mais jovens estejam trabalhando em 2024 em relação a 2014, a qualidade dos seus empregos é menor.
Os trabalhadores sul-coreanos “regulares” assinam contratos que garantem o emprego até a idade de aposentadoria legal. Aqueles sem essa garantia encontram-se normalmente com menores salários e enfrentando formas de discriminação no ambiente de trabalho. De acordo com a notícia de Yoon (2025), os dados da Statistics Korea de abril de 2024 mostram que os trabalhadores irregulares ganham cerca de 66% do que ganham os trabalhadores regulares.
A professora Lee Yoonkyung (2015) entende que fatores como a desigualdade social e a desregulamentação de políticas trabalhistas desde a Crise Financeira Asiática de 1997 colaboraram para o surgimento de uma nova subclasse trabalhista insegura. No caso, Lee (2015) assim se refere devido à insegurança em que esses trabalhadores vivem: baixa remuneração, insegurança no trabalho, baixas perspectivas de promoção de cargo ou mobilidade social, além de pouca proteção social. Dentro desta categoria estariam as pessoas autônomas – 22,9% da população empregada, em dados de 2024 da OCDE (OECD, 2024) –, e pessoas que trabalham no varejo e no setor de restaurantes, ambos considerados de baixo valor agregado.
Para finalizar, o jornalista Yoon (2025) traz que os dados da Federação também mostraram que o crescimento real de renda para todos os grupos etários desde 2019 foi substancialmente menor do que nos cinco anos anteriores a 2019. O crescimento real de renda de 2019 a 2024 foi de 1,1% para jovens na casa dos 20 anos até 3% para aqueles de 60 anos ou mais.
REFERÊNCIAS
CHOI, Jeong Yoon. South Korea’s senior poverty increases for second straight year. The Korea Herald, 3 fev. 2025. Disponível em: https://www.koreaherald.com/article/10410847. Acesso em: 19 nov. 2025.
JUN, Ji Hye. Korea’s high senior employment rate masks low job quality. The Korea Times, 27 maio. 2025. Disponível em: https://www.koreatimes.co.kr/southkorea/society/20250527/south-koreas-high-senior-employment-rate-masks-low-job-quality. Acesso em: 12 jun. 2025.
LEE, Yoonkyung. Labor after Neoliberalism: The Birth of the Insecure Class in South Korea. Globalizations, v. 12, n. 2, p. 184-202, 2015. DOI: 10.1080/14747731.2014.935087
OECD. Self-employment rate. Organisation for Economic Co-operation and Development, 2024. Disponível em: https://www.oecd.org/en/data/indicators/self-employment-rate.html. Acesso em: 09 out. 2025.
YOON, Min Shik. 20-somethings experienced slowest income growth in past decade: report. The Korea Herald, 29 set. 2025. Disponível em: https://www.koreaherald.com/article/10585901. Acesso em 09 out. 2025.
SOBRE A AUTORA

Beatriz Santos Simões
Graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Sergipe. Integrante do Grupo de Estudo Leste-Asiático (GELA/UFS). Integrante da Curadoria de Estudos Coreanos (CEÁSIA/CEA/UFPE).
E-mail: biassimoes12@gmail.com