Quem disse que K-pop e política não se misturam?

Quem disse que K-pop e política não se misturam?

Clara Moraes e Vitória Ferreira Doretto

*texto enviado na edição número 12 da Mangwanbu.

Neste mês é praticamente impossível não falar de eleições e, desde que vários fãs e fandoms começaram a expressar seu apoio ao candidato a reeleição Luis Inácio Lula da Silva, de espectro político progressista, temos visto muitos fãs de espectros contrários falarem nas redes sociais que “não se deve misturar K-pop com política”, porque “os idols não apoiariam dado político brasileiro”, porque “a Coreia do Sul é de direita”, porque “os idols não deixam usar suas músicas para isso” e várias outras supostas razões que, por falta de palavra melhor, beiram a inocência de tão rasas. E como K-pop é cultura sul-coreana, cá estamos.

O conceito de cultura varia com a abordagem teórica adotada, por isso, podemos considerar cultura tudo o que vai além das necessidades básicas de sobrevivência ou, como conceito ampliado, “artes em abrangência mais larga, patrimônio material e imaterial, modos de vida, concepções de mundo, valores, pensamentos, culturas populares, identidades culturais, culturas digitais e diversas outras modalidades de cultura” (Rubim; Tavares, 2021, p. 330).

Então, K-pop é cultura.

E se K-pop é cultura e a cultura abrange concepções de mundo e modos de vida, então a cultura é política e, consequentemente, o K-pop também é política.

Uma pessoa pode ignorar o lado político do K-pop e só “ouvir música para se alienar”, mas isso não quer dizer que não haja política envolvida na música, desde sua composição e produção até sua circulação.

Mas já que falaram em idols e agências não deixando suas músicas se envolverem em questões políticas, vamos voltar uns anos na história e falar de K-pop e política na Coreia do Sul.

Vamos começar com a música de debut do SNSD que se tornou um hino de resistência e foi a trilha sonora dos principais movimentos juvenis na Coreia do Sul, incluindo os protestos na Universidade Feminina Ewha, os protestos à luz de velas que derrubaram a presidente Park Geun-hye, os protestos na Universidade Dongduk, os protestos feministas e do #MeToo e as manifestações pró-democracia e a favor do impeachment do presidente Yoon Suk Yeol. Nenhum protesto em busca de mudanças no país estaria completo sem “Into The New World” do Girls’ Generation.

Em 2016, estudantes da Universidade Feminina Ewha ocuparam o campus para protestar contra a decisão unilateral da administração de criar um programa universitário controverso, chamado de Light Up Your Future in Ewha (LiFE) College, visto como uma tentativa de “vender diplomas” para obter financiamento governamental. Durante o protesto, quando a polícia entrou no prédio ocupado, as centenas de estudantes cantaram “Into the New World”, do Girls’ Generation, e o momento viralizou nas redes sociais juntamente com o que aconteceu logo em seguida: estudantes sendo arrastados à força pela polícia em meio a gritos de dor. A mensagem de união no meio da incerteza repercutiu para além dos muros da universidade.

Após os protestos em Ewha, a presidente da Universidade, Choi Kyung-hee, anunciou o cancelamento do plano, mas as estudantes continuaram a exigir sua renúncia. Os protestos culminaram na revelação de uma peça crucial do escândalo político que eventualmente derrubou a presidente Park Geun-hye: o favoritismo da instituição em relação a uma atleta de hipismo, Chung Yoo-ra, filha de Choi Soon-sil, confidente secreta de Park Geun-hye.

A extensão dos favores concedidos por Ewha à filha de Choi foi investigada pelo parlamento sul-coreano e por uma equipe especial de promotores. Sete funcionários da universidade foram indiciados, e a admissão da aluna na universidade foi cancelada. O episódio tocou numa ferida sensível no país, pois muitos jovens se esforçam para ingressar numa universidade de prestígio, e desencadeou um enorme movimento popular que ajudou a destituir Park, que sofreu um processo de impeachment no parlamento. Os manifestantes que pediam o impeachment da presidente Park Geun-hye também usaram “Into the New World” nos protestos à luz de velas. Os protestos cantavam a música para transmitir a ideia de solidariedade, de que todos estavam juntos, independentemente da adversidade em que estavam naquele momento.

Assim, a música passou a ser associada à cultura de protesto sul-coreana, especialmente entre jovens de mentalidade liberal que clamam por mudanças. E o movimento dos manifestantes mostrou que havia surgido uma nova cultura de protesto: a cultura de uma geração que cresceu após o fim do regime autoritário em 1987 e foi influenciada pelo K-pop.

E para quem acha que as integrantes do SNSD foram contra o uso da música: em uma entrevista para a W Korea em 2017, Yuri disse que ficou emocionada e chorou depois de assistir ao vídeo das estudantes da Ewha e que foi um momento de orgulho para ela como cantora.

Anos depois, em 2019, estudantes sul-coreanos colocaram “Into the New World” durante uma manifestação em apoio aos protestos pró-democracia de Hong Kong.

A música também é considerada o hino não oficial do orgulho LGBTQIAPN+ sul-coreano. Nas Paradas do Orgulho de Incheon e de Seul e no Festival de Cultura Queer de Seul é comum ouvir a canção entoada a plenos pulmões pelos participantes. Em 2021, Tiffany, outra integrante do Girls’ Generation, apareceu em um vídeo com membros da comunidade LGBTQIAPN+ dublando e dançando ao som da música.

Em 12 de fevereiro de 2022, grupos como o Centro Coreano de Resposta à Violência Sexual Cibernética e a Associação Coreana de Trabalhadoras organizaram um protesto e homens e mulheres marcharam pelas ruas de Seul contra a “política misógina” fomentada pelos candidatos à presidência antes das eleições daquele ano e entoavam “Into the New World”. A mensagem dos cartazes com “Igualdade, não ódio” e “Feministas mudarão o mundo” era clara: queriam igualdade de gênero e que parassem com o ódio e a discriminação.

E finalmente, em 2024, depois que o então presidente Yoon Suk Yeol decretou a lei marcial na Coreia do Sul e mobilizou as forças militares para impedir atividades políticas e parlamentares, incluindo a votação que cancelaria a medida, a população, incluindo milhares de fãs de diversos grupos de K-pop, se uniu nas ruas para protestar contra Yoon e pedir o impeachment do presidente. As ruas foram tomadas por manifestantes, em sua maioria jovens mulheres, que empunhavam lightsticks de K-pop. Enquanto os manifestantes cantavam e balançavam seus lightsticks no protesto, os parlamentares literalmente correram e até mesmo pularam o muro da Assembleia Nacional para votar e impedir a tentativa de golpe — entre eles estava Lee Jae-myung, atual presidente do país, que, como líder da oposição, transmitiu ao vivo o seu deslocamento até a Assembleia.

imagem: Yonhap News

O protesto da população foi imenso, a presença dos fandoms foi massiva, e passou a incluir grupos de mulheres e ativistas LGBTQIAPN+, que criticaram a política de ódio perpetuada pelo governo Yoon. E até mesmo os políticos usaram lightsticks. Todas as noites, milhares de lightsticks eram agitados do lado de fora da Assembleia Nacional, como se fossem uma visualização daquela “luz fraca” de que a letra de “Into the New World” fala. Muitos jovens com lightsticks de K-pop protestaram perto da Assembleia Nacional e da sede do Partido do Poder Popular, pedindo o impeachment de Yoon e a dissolução do PPP.

Na época, nem os idols nem as empresas de K-pop se pronunciaram contra a participação dos fandoms nos protestos; pelo contrário, alguns artistas apoiaram os fãs e distribuíram comida para os participantes.

Dois exemplos que podemos citar são Yuri, do Girls’ Generation, e IU.

Para o protesto que ocorreu em 14 de dezembro em frente à Assembleia Nacional em Seul, pedindo o impeachment do ex-presidente, Yuri providenciou kimbap para ser distribuído às pessoas e pediu que elas se certificassem de encherem o estômago com kimbap, cuidarem da saúde e cantarem “Into the New World” bem. Já IU financiou refeições, café e bolsas térmicas para os manifestantes (a ação foi aberta a todos os manifestantes, não apenas aos membros do fã-clube). Na época, a EDAM, agência dela, afirmou que a intenção era “aquecer as mãos congeladas” dos que “iluminam seus arredores com bastões luminosos no frio”.

No dia da aprovação da moção de impeachment do Yoon, as pessoas estavam reunidas esperando o resultado e, enquanto anunciavam, tocaram “Genie” do Girls’ Generation junto com gritos de “impeachment da YSY!” durante a parte do “tell me your wish” (diga-me o seu desejo). Segundos depois, quando anunciaram que a moção havia sido aprovada, imediatamente trocaram a música para “Into the New World”.

Em 2025, a posse presidencial de Lee Jae-myoung também contou com “Into the New World”, considerada a canção de protesto definitiva, especialmente durante o caos da lei marcial.

Se em 2016 ficou claro que uma nova cultura de manifestação tinha surgido e “Into the New World” é a “música de protesto” desta geração, os manifestos de 2024 provaram que agitar lightsticks é uma forma contemporânea de expressão do poder popular. Desta forma, é impossível não perceber que, sim, o K-pop faz parte de um novo movimento de mobilização política e solidariedade dos povos em defesa da democracia.

Os lightsticks, outrora utilizados para demonstrar apoio a artistas durante shows, passaram a iluminar manifestações em defesa da democracia. As fronteiras de cada fandom foram ultrapassadas e as luzes passaram a compor uma imagem pública de solidariedade entre os povos. Dessa maneira, quando os lightsticks deixam os shows e passam a iluminar manifestações em defesa da democracia, fica difícil sustentar que o K-pop existe fora da política.

Não só na Coreia do Sul, mas por todo o mundo, fandoms dos mais diversos grupos, solistas, celebridades, escritores, esportes, filmes, séries etc. fazem ações sociais e políticas que ultrapassam a ideia de que gostar de algo é sinônimo de apenas consumir sem ter pensamento crítico. Para citarmos apenas algumas ações no Brasil, já vimos atitudes como a criação de um fundo de arrecadação para ajudar a Brigada Alto Pantanal do EXOLs Support Pantanal, a criação do movimento social Army Help The Planet (AHTP) e campanhas de doação de sangue e de emissão de título eleitoral… estes são poucos exemplos do muito que é feito pelas comunidades de fãs.

Por isso, falar que K-pop e política não se misturam… não faz sentido.

E é aqui que podemos falar da ação mais recente de fandoms, incluindo os de K-pop, defendendo a democracia e lutando pela manutenção de direitos básicos da sociedade: o Fandoms com Lula.

Quando falamos em fandom, estamos nos referindo às estruturas e práticas que são formadas em torno de peças de cultura popular — o fandom é pré-digital, mas a internet possibilitou que os fãs, ou seja, as pessoas que se identificam com alguma coisa tenham cada vez mais acesso fácil e frequente às coisas de que gostam e suas atividades envolvem criação de conteúdo, evangelização e liderança a serviço do objeto de fã (Fraade-Blanar; Glazer, 2018).

Criada no X (antigo Twitter) pelos perfis @Central_Fresno, @acesaintsatine, @PortalAdelaBr, @acervymariah, @jaywonacervo_, @lulacervo, @PrettyJiBrasil e @BrasilMOO, e posteriormente aderida por muitos outros perfis, a ação conjunta dos fandoms é, segundo a organização, a maior que já existiu no Brasil em prol da democracia e reúne mais de mil fã-clubes e páginas de diferentes artistas e estados brasileiros em uma mobilização voluntária pela eleição de Lula.

Esse coletivo de fãs está expandindo sua experiência e usando a força de suas comunidades para a participação política, criando canais de diálogo, produzindo materiais de informação para circulação dentro e fora dos fandoms, tirando dúvidas, reunindo denúncias, ameaças e relatos de situações de risco (incluindo ameaças de bomba ou explosão, possíveis atentados, ameaças de violência, divulgação de planos de ataques e outras ocorrências preocupantes tanto na internet quanto fora dela) para documentação e encaminhamento aos agentes de segurança responsáveis e mapeamento de contas em redes sociais que foram suspensas, banidas ou sofreram algum tipo de restrição.

O movimento dos fandoms incentivou seus seguidores a divulgar informações nas mais diversas plataformas sociais e a subir hashtags para colocar a pauta no topo dos assuntos do momento e também articulou ações em apoio à campanha pela reeleição do presidente que foram além do digital: ocuparam ruas de diversos estados brasileiros.

Além do movimento geral do Fandoms com Lula, em 17 de outubro, diversos fandoms conhecidos por serem rivais nas redes sociais se uniram e lançaram a campanha EU VOU +1, que incentiva a participação eleitoral e a valorização da democracia, convidando as pessoas a comparecerem às urnas e a incentivarem mais alguém a votar.

São ações que despertam o sentimento de comunidade entre as pessoas e trazem à tona o melhor da cultura de fãs.

Quer outro exemplo contemporâneo que envolve cultura e política? Na França estão ocorrendo diversos protestos desde setembro (inicialmente devido às condições das escolas e à escassez de professores nos subúrbios da classe trabalhadora, o que evoluiu para um movimento contra a desigualdade, os cortes nos gastos públicos e o aumento do custo de vida) — já foram realizadas 110 marchas, reunindo entre 550 mil e 800 mil manifestantes pelo país — e há alguns dias, durante um protesto em Paris, uma orquestra se uniu aos estudantes manifestantes e tocou “The Hanging Tree”, da saga cinematográfica e literária Jogos Vorazes, de Suzanne Collins.

E para quem fala que a Coreia do Sul é de direita… direita pero no mucho. O atual presidente é, para os parâmetros da sociedade sul-coreana, de esquerda — recortando a longa história coreana para observar apenas a partir da fundação da República da Coreia em 1948, podemos dizer que quatro de seus presidentes foram de esquerda, o presidente em exercício, Lee Jae Myung; Moon Jae-in (2017-2022); Kim Dae-jung (1998-2003), que recebeu um Nobel da Paz em 2000; e Roh Moo Hyun (2003-2008). E mais da metade dos parlamentares na Assembleia Nacional atual é liberal ou progressista. Assim como no Brasil, na Coreia há partidos conservadores e progressistas, não se pode dizer que um país é somente de direita.

Se você se identifica com músicas criticando a superficialidade das relações ou falando sobre questões de identidade, juventude, educação, pertencimento, qualidade de vida ou pressão social, ou se fica feliz e compartilha notícias quando vê seus idols favoritos fazendo doações, sendo embaixadores ou atuando em favor de causas sociais, ambientais e humanitárias… surpresa: eles estão se envolvendo em questões políticas e você está engajando com essas questões.

Quando os direitos de todos estão em jogo, é hora de colocar em prática as lições de empatia, amor e resiliência que aprendemos como fãs. Vamos ajudar a criar um mundo novo juntos?

Referências

AFP. ‘Into the New World’: the K-pop song that became South Korea’s protest anthem. France24, 13 dez. 2024. Disponível em: https://www.france24.com/en/live-news/20241213-into-the-new-world-the-k-pop-song-that-became-south-korea-s-protest-anthem.

CHUNG, Esther; HONG, Sang-Ji. After Ewha president announces cancellation of continuing education program, protesters respond. Korea JoongAng Daily, 3 ago. 2016. Disponível em: https://www.koreajoongangdaily.com/korea/after-ewha-president-announces-cancellation-of-continuing-education-program-protesters-respond/10126692.

DE LA HAMAIDE, Sybille. Tensões voltam a crescer; França contabiliza custos de protestos. Reportagem adicional de Natasa Bansagi, Janis Laizans, Abdul Saboor e Clotaire Achi. Agência Brasil, 18 out. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-10/tensoes-voltam-crescer-franca-contabiliza-custos-de-protestos.

ESTADÃO CONTEÚDO. Protestos da França se espalham para a Itália, Portugal e Albânia; Meloni convoca reunião. Folha de Pernambuco, 19 out. 2026. Disponível em: https://www.folhape.com.br/noticias/protestos-da-franca-se-espalham-para-a-italia-portugal-e-albania/519203/.

FANDOMS COM LULA. O Fandoms com Lula surgiu espontaneamente no Twitter… X, 11 out. 2026. Disponível em: https://x.com/fandomscomlula/status/2109237579274989897.

FANDOMS de diferentes artistas… Mídia NINJA. Instagram, 17 out. 2026. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DeneCKCkSoA.

FRAADE-BLANAR, Zoe; GLAZER, Aaron M. Superfandom: como nossas obsessões estão mudando o que compramos e quem somos. Tradução: Guilherme Kroll. Rio de Janeiro: Anfiteatro, 2018.

LEE, Tae-so. 아이유, 尹 탄핵 집회 참가 팬에게 빵·국밥 등 쏜다 [Agência: “Esperando que as mãos frias que iluminam o ambiente se tornem um pouco mais quentes.”]. Yonhap News, 13 dez. 2024. Disponível em: https://www.yna.co.kr/view/AKR20241213148100005?input=1195m.

LEGENDARY show of solidarity – via brutofficiel. More Perfect Union, 14 out. 2026. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DeezGbKDBEh/.

MIN, Seon-yu. [POP이슈]”언 손 따뜻해지길” 역시 아이유, 집회 참석 유애나 위해 통큰 선결제 [[Edição POP] “Esperando que as mãos congeladas se aqueçam” — Como esperado, a IU faz um generoso adiantamento para que Uaena compareça à manifestação]. Herald Muse, 13 dez. 2024. Disponível em: https://m.entertain.naver.com/home/article/112/0003736945.

PAIK, Rocio. Das redes sociais para as ruas: como fandoms de K-pop impulsionam campanha para reeleger Lula. Opera Mundi, 15 out. 2026. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/eleicoes-2026-brasil/do-meio-digital-para-as-ruas-como-fandoms-de-k-pop-impulsionam-campanha-para-reeleger-lula/.

PARK, Min-ji. 소녀시대 유리, 탄핵 집회에 김밥 제공…“다만세 잘 불러” [Yuri, do Girls’ Generation, oferece gimbap em comício de impeachment… e “cante ‘damanse’ [Into the New Word] muito bem”]. Sports World, 13 dez. 2024. Disponível em: https://m.entertain.naver.com/home/article/396/0000695939.

RASHID, Raphael. South Korea deploys K-pop light sticks and dance in protests against president. The Guardian, 11 dez. 2024. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2024/dec/12/south-korea-martial-law-protests-k-pop-and-glow-sticks.

RUBIM, Antonio Albino Canelas; TAVARES, Márcio (org.). Cultura política no Brasil atual. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2021. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2021/05/17-Cultura-politica-no-Brasil-atual-WEB.pdf.

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