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Jinjoo Jo

As ilustrações da artista sul-coreana Jinjoo Jo caminham na fronteira entre a fofura e o desconforto, a inocência e o sofrimento. Acompanhe o trabalho dela: X (antigo Twitter) e site.
imagem: https://www.thisiscolossal.com/2025/03/jinjoo-jo-blue-anger
imagem: Colossal
imagem: Colossal
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Olá, olá!

Em setembro tivemos a discussão do livro "Psicopolítica", de Byung-Chul Han, na Leitura Coletiva e teremos o Festival de Cinema Coreano em parceria com o KOFF, em Recife, a partir desta segunda-feira (14/09).

Estamos felizes e animadas para o início do 4º KOFF, que ocorrerá pela primeira vez na capital pernambucana, de 14 a 16 de setembro. Nesta edição, teremos 3 filmes da mostra não competitiva e 3 filmes da mostra especial dos anos 1960, disponibilizados pelo KOFA. Os ingressos estão disponíveis no Sympla e as sessões do Festival de Cinema Coreano ocorrerão no Cinema da Universidade Federal de Pernambuco.

Apareça e venha dar um abraço na gente.
Se tiver interesse em saber mais sobre o KOFF, acesse o Instagram do festival.

Esta edição da Mangwabu traz um texto de Thaisa Viana sobre as eleições de governadores e prefeitos na Coreia do Sul — o que vem a calhar, já que teremos eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais no começo do próximo mês.

Também trazemos algumas das ilustrações da série Blue Anger, de Jinjoo Jo, e as indicações mensais de Clara (desta vez muito emocionante) e Vitória (cada vez mais aleatórias).

Esperamos que você aproveite.
Fique bem e se hidrate!
As eleições locais em 2026: vitórias, derrotas e divisão política
por Thaisa Viana
Fonte: Reuters e The Guardian
Imagem: https://www.instagram.com/p/DZKI88jlIky/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

A nona eleição local para a escolha de governadores e prefeitos das 17 administrações governamentais na Coreia do Sul foi realizada no dia 3 de junho de 2026. Na eleição, são escolhidos governantes para uma Cidade Especial — sendo a capital do país, Seul —, cidades metropolitanas, uma cidade autônoma especial (Sejong), oito províncias e duas províncias autônomas especiais. Com a fusão da administração da província de Jeolla do Sul e de Gwangju a partir de 1 de julho de 2026, agora ficam resumidas as escolhas a apenas 16 regiões administrativas.
Os resultados favoráveis ao Partido Democrático da Coreia (DPK), legenda do atual presidente Lee Jae-myung, que conquistou 12 das 16 administrações locais em disputa, mostraram-se relativamente tímidos frente à reeleição do prefeito de Seul, Oh Se-hoon, representante do conservador Partido do Poder Popular (PPP). A manutenção do controle sobre Seul, principal centro político, econômico e demográfico do país, sugere a permanência dos partidos ultraconservadores e de suas capacidades de mobilização eleitoral, apesar dos desgastes após a crise política que culminou no impeachment do ex-presidente Yoon Suk Yeol.
As falas do presidente do DPK mostram preocupação do governo frente à derrota simbólica. Jung Chung-rae, ainda que reconhecendo a vitória do DPK em números com a retomada de todas as regiões anteriormente administradas pelo PPP, inclusive em redutos historicamente mais conservadores como Busan, afirma que “o partido democrata falhou em retomar Seul”, reconhecendo a importância da vitória do PPP na região. Oh Se-hoon, por sua vez, adotou um discurso de vitória mais moderado, afirmando que “os princípios democráticos foram checados e balanceados”, em uma clara tentativa de se desvincular das narrativas antidemocráticas associadas ao histórico de seu partido.
Para além da divisão política nas urnas nos seus resultados, as eleições também foram marcadas por mobilizações e protestos populares. Em maio de 2026, um mês antes das eleições, protestos favoráveis e contrários à rede de cafeterias Starbucks ocuparam as ruas de Seul e dominaram o debate público. Na ocasião, o lançamento do “Tank Day” — campanha promocional em que a franquia oferece cafés em tamanhos maiores — coincidiu com o aniversário do Massacre de Gwangju, ocorrido em 18 de maio de 1980. Além disso, a campanha utilizou um slogan que remetia a um dos episódios de tortura mais emblemáticos da Coreia do Sul durante o período ditatorial da década de 1980. A controvérsia provocou uma forte polarização social entre grupos críticos à ditadura e demais formas de revisionismo histórico e setores mais conservadores, que chegaram a compartilhar montagens do ex-ditador sul-coreano Chun Doo-hwan em apoio à franquia de café.
Além do episódio, a escassez de cédulas eleitorais em algumas zonas de votação em Seul ocasionou protestos de mais de 35 horas no local. O presidente Lee e os dois principais partidos políticos na disputa eleitoral exigiram a apuração de responsabilidades e garantiram para a população a transparência e funcionalidade dos processos eleitorais. Apesar do esforço das autoridades, o movimento não garantiu o apaziguamento de parte dos protestantes que pediam a retirada do chefe da comissão nacional eleitoral. Em mobilizações nas redes sociais, sobretudo no YouTube, o discurso de fraude eleitoral e a convocação de novas eleições se multiplicam e colocam a democracia sul-coreana mais uma vez em destaque.
Os dois episódios são relevantes na medida em que permitem observar o atual cenário político da Coreia do Sul em âmbito social, exemplificando como a mobilização da extrema direita se perpetua no país e vem se reorganizando diante do desgaste político provocado pela tentativa de golpe de 3 de dezembro de 2024. As estratégias de mobilização e recrutamento on-line, os protestos, a associação com pautas da extrema direita estadunidense e a desconfiança em relação aos processos eleitorais parecem ter transformado a política sul-coreana, tornando-se elementos organicamente integrados ao ethos político do país.
Referências
HANKOOK ILBO. Far-right Koreans rally around Starbucks, use AI-generated dictator to promote coffee chain. The Korea Times, Seoul, 21 maio 2026. Disponível em:https://www.koreatimes.co.kr/southkorea/others/20260521/far-right-koreans-rally-around-starbucks-use-ai-generated-dictator-to-promote-coffee-chain. Acesso em: 6 jun. 2026.
KIM, Heejin. South Korean protesters keep calling for re-run of election after ballot shortage. Reuters, Seoul, 6 jun. 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/south-korean-protesters-keep-calling-re-run-election-after-ballot-shortage-2026-06-06/. Acesso em: 6 jun. 2026
RASHID, Raphael. How a Starbucks marketing stunt spiralled into mass boycotts in South Korea. The Guardian, London, 6 jun. 2026. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2026/jun/06/starbucks-south-korea-tank-day-promotion-blunder. Acesso em: 6 jun. 2026.
SHIM, Kyu-seok; LEE, Joyce. South Korea Lee's ruling party sweeps local elections, but loses Seoul mayor race. Reuters, Seul, 3 jun. 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/world/asia-pacific/south-korea-ruling-party-sweeps-most-seats-local-elections-faces-losing-seoul-2026-06-03/. Acesso em: 6 jun. 2026.

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Recomendações da Curadoria

  • Clara está relendo "Por favor, cuide da mamãe", de Shin Kyung-Sook:
    Eu estou fazendo a releitura e não imaginei que iria mexer tanto comigo. Estou lendo com vagar. O sentimento de perda de momentos com a família e a angústia ao procurar a mãe me fizeram refletir sobre a minha vida e minhas relações. Um livrão!
  • Enquanto Vitória segue nas leituras de manhwas, neste mês a indicação é "I Was the Real Owner of Elheim" (진짜 가주는 나였다), que conta a história de Riarte, que volta três anos no passado para mudar seu destino e encontrar a felicidade. A história principal está finalizada e possui algumas histórias paralelas (também finalizadas), que mostram cenas depois do "viveram felizes para sempre". Além de ser uma boa história, com romance, crescimento e um pouco de ação, os personagens são bem construídos e as ilustrações são lindas.

Obrigada por nos acompanhar!

Nos encontramos no próximo mês.
Fighting!
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