por Arthur Martins Santana
fonte: https://time.com/7333848/park-chan-wook-no-other-choice/
O diretor sul-coreano Park Chan-wook estreou na indústria cinematográfica, em 1992, com o filme Daleun…haega kkuneun kkum (The Moon Is…the Sun’s Dream). Suas primeiras obras não atingiram um grande alcance, sendo frequentemente deixadas de lado quando comparadas com o filme Oldboy (2003), o grande sucesso de Chan-wook, que caiu nas graças do público internacional e abriu portas para que o cinema sul-coreano conquistasse a atenção e o espaço que viriam a alcançar posteriormente (Nayak, 2026)
O longa-metragem introduziu a grande parte do público os pilares que constituem a filmografia de Park Chan-wook: thrillers, violência e humor ácido. Posteriormente, a famosa trilogia da vingança, composta por Sympathy for Mr. Vengeance, Oldboy e Lady Vengeance, se estabeleceu como uma das grandes referências do cinema, galgando ao diretor prestígio e reconhecimento.
O diretor de cinema Park Chan-wook é sinônimo do ‘cinema sul-coreano moderno’. Apesar de seus sucessos de bilheteria, de sua legião de fãs cult e do reconhecimento da crítica, Park é assombrado pelas mesmas questões que atormentam os personagens de seus filmes: a ilusão da liberdade, o custo oculto dessa liberdade e a inquietante pergunta sobre se vale a pena persegui-la (Kim, 2026, tradução nossa).
Nos anos posteriores, o diretor envolveu-se em mais produções, agora voltadas para o público internacional, dirigindo obras como Stoker (2013). No entanto, Chan-wook não se distanciou de sua assinatura tão apreciada, alcançando a aclamação do público novamente, dessa vez com a obra The Handmaiden (2016).
O cineasta representou o início de uma nova etapa para a indústria cinematográfica sul-coreana. Com a introdução de um jeito alternativo de fazer cinema, com novas tramas profundas, através da sua filmografia, ele deu espaço para que outras produções tivessem a oportunidade de adentrar nas residências de um ocidente marcado por um padrão de consumo estabilizado — uma tarefa, por si só, árdua.
O sucesso foi tão notável que fez o jornal estadunidense The New York Times cunhar, em 2017, Chan-wook como “the Man Who Put Korean Cinema on the Map”, que, em tradução livre, pode ser entendido como “o homem que colocou o cinema coreano no mapa”, exemplificando o papel que o diretor exerceu na promoção das obras sul-coreanas para o mundo ocidental.
Em 2025, o diretor retornou às grandes telas com No Other Choice, uma adaptação do romance The Ax de Donald E. Westlake. O filme rapidamente foi aclamado pela crítica e pelo público por sua direção inventiva e característica, provando mais uma vez a capacidade de Park Chan-wook de contar histórias multifacetadas, repletas de nuances e que transitam entre diferentes gêneros cinematográficos.
Assim, mais de três décadas após sua estreia como diretor, Park Chan-wook demonstra que o seu estilo de fazer cinema não ficou ultrapassado. Pelo contrário, ainda permanece bastante atual e justifica os status do diretor como uma das principais referências do cinema sul-coreano e figura central na projeção internacional dessa indústria.
Referências
CHEE, Alexander. Park Chan-wook, the Man Who Put Korean Cinema on the Map. The New York Times, 2017. Disponível em: https://www.nytimes.com/2017/10/16/t-magazine/park-chan-wook.html. Acesso em: 26 jul. 2026.
BURT, Kayti. Park Chan-wook on the Long Journey to No Other Choice. Time, 2025. Disponível em: https://time.com/7333848/park-chan-wook-no-other-choice/. Acesso em: 26 jul. 2026.
KIM, Soy. Park Chan-wook: The Master of Dark Irony. Hypebeast, 2026. Disponível em: https://hypebeast.com/2026/1/park-chan-wook-no-other-choice-digital-cover-story. Acesso em: 26 jul. 2026.
NAYAK, Arpit. Park Chan-Wook. Britannica, 2026. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Park-Chan-Wook. Acesso em: 26 jul. 2026.
SOBRE O AUTOR

Arthur Martins Santana
Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), integrante da Curadoria de Estudos Coreanos (CEÁSIA/CEA/UFPE). Se interessa por Economia Política Internacional e a Teoria do Sistema-Mundo com ênfase para a região da Ásia-Pacífico.
E-mail: santanamartins500@gmail.com